O ASSALTO

Sabe aquele tipo de rapaz que adora cozinhar? Não. Não estou falando de um chef de cozinha e sim daquele que promete mundos e fundos e, no final, vira um matemático. Sempre saindo pela tangente…

espera

Eu, há 3 semanas, havia dado um basta ao meu paquera fixo. Nunca concordei com relações inconstantes, mas essa passava dos limites. Tudo bem que eu só consegui fazer isso quando eu estava em casa (detalhe: nem estava pensando em sair) e ele ligou me chamando para o cinema. Como toda mulher sabe, há sempre um ritual antes de qualquer saída com qualquer possibilidade de futuro ou apenas, uns momentos de alegria. Eram 14h e marcamos 17h. Em 3 horas até dava tempo de me arrumar.

Às  17:45, ele estava num barzinho bêbado, me chamando para buscá-lo porque ele não tinha condições de distinguir entre Red Label ou Ice. E foi assim, num passe de mágica, que a nossa história chegou ao fim…

Era mais uma linda tarde de domingo e eu estava a pensar como os homens conseguem segurar a vontade de ligar para uma mulher? Na verdade, como eles nem pensam em ligar para discutir ou argumentar. Ou seja: por que o desgraçado não pensou em me ligar nem para pedir desculpas pelo ocorrido!!!
Possibilidades: orgulho; falta de interesse; vergonha; quem era mesmo a mulher que ele deu o fora no dia do bar?

Passeando pelas ruas da cidade fiquei a buscar uma solução para o problema. Decidi levantar o queixo, estufar o peito, jogar fora todos os lenços de papel que estavam no carro. Acabou! Começaria uma nova vida sem pensar em homens. Nunca mais me aventuraria com alguém tão inconstante. Estava passando pela praia e o sol estava perto de se pôr. Achei que ali seria um bom começo para esta nova vida que eu queria levar.

pordosol

Parei em um estacionamento de frente para o mar e os últimos raios de sol acariciariam a minha face enquanto deixava, em suas costas, apenas leves sombras. Eu, embevecida com o cenário, não percebi que as sombras não passavam de 2 homens que estavam no mesmo local, não para apreciar a poesia de um final de dia ensolarado e, sim, para levarem o meu carro com eles. Enquanto Drummond trimilicava no túmulo, estes dois seres vivos vindos das profundezas das trevas  me jogavam no chão e mandavam eu entregar a chave do carro e não olhar para trás.

palio

Pronto: o sol se pôs, enquanto meu carro tomava rumo pelas ruas da cidade cantando pneus com dois sujeitos que nunca irão saber que a essência que pairava no ar dentro do meu veículo era Le Lis Blanc e que Lara Pausini estava falando de amor pelas bocas do meu som de MP3. E eu estava solteira. O que poderia ser pior? Fui andando pela rua e um casal de idosos acabou me ajudando.
Levaram-me até a delegacia mais próxima. Registrei queixa e esperei uma amiga minha chegar para me levar para casa. Em casa, e com uma fita mental no Replay, tomei um banho bem quente e fiquei imaginando todas as possibilidades de que tivesse sido diferente e eu tivesse agido de uma maneira diferente, apesar de que, no final das contas, você nunca pode fazer nada diferente mesmo.
Deitei e dormi um sono profundo, sem sonhos, sem celular, sem carro, sem documentos, sem namorado. Acordei atrasada (porque o meu despertador era meu celular) e fui para o trabalho de taxi. Tentei pensar positivo: tudo novo de novo – é segunda, é vida nova. Poderia incluir na lista de novidades da minha vida um carro novo.  Por que não? Como não tenho telefone fixo em minha casa e não tinha mais celular, chegando ao trabalho já havia 20 recadinhos, todos preocupados, solícitos e amorosos. Um deles era do cozinheiro. É impressionante o que uma amiga pode fazer por você no período de uma noite.- ela era a melhor assessora de imprensa para assuntos pessoais que eu já vi. Depois de tantos recados, fiquei espantada de como Lula ainda não havia mandado o seu assessor me telefonar. Decidi que não queria retornar nenhuma ligação. Queria só esquecer o assunto. MSN? Só daqui a uma semana, quando a poeira baixasse. Fiquei o dia inteiro concentrada nos meus relatórios e quase me esqueci de almoçar. À noite, exausta e com todo o trabalho concluído, uma colega de trabalho se comoveu com a situação e decidiu me dar uma carona. Ao chegar ao meu prédio, o porteiro me abordou com a correspondência e avisou que um rapaz estava a me esperar no lobby. Fiquei ansiosa e com vontade de sumir. Nem dava tempo de tomar um banho. E eu, no lobby, cara a cara com o cozinheiro e muda que nem uma porta ao vê-lo com um buquê de rosas vermelhas na mão.

rosas-do-bosque

Ele- Eu soube do que aconteceu, sinto muito. Pensei até em ligar estas semanas que passaram, mas achei que você estava chateada e tudo mais. Achei que você não iria querer falar comigo.
Pausa para reflexão: o problema dos homens sempre foi ACHAR. Se eles não achassem tanto, não haveria tantas guerras no mundo.
Aceitei o buquê com um sorriso meia-boca. Quando ele tentava pensar em mais alguma merda para falar eu retruquei:

EU - As flores são lindas. Muito obrigada.
Ele - Pois é. Uma vez,  fomos no cinema e, no filme, o cara dava um buquê deste para mulher. Notei que você gostava porque você soltou um suspiro.

Pausa para reflexão 2: quer dizer, ele tem a sensibilidade de perceber o meu suspiro mas o seu achômetro não permitiu que ele me ligasse dia nenhum após o ocorrido no bar.

Pausa para reflexão 3: As mulheres que matam os seus maridos em momento de raiva: homicídio culposo ou doloso?

Sem ter uma faca na mão só me restou chamá-lo para um café. Contei toda a história do assalto, conversamos sobre os dias que se passaram, nos quais estivemos separados, ele se ofereceu para me levar no trabalho as 8 e acabamos deitados no sofá com uma leve brisa batendo em nossos corpos.

Ao final desta frase, percebi que a poesia (e o meu cozinheiro), de repente, estava voltando para a minha vida de uma maneira muito sutil: em forma de delivery.

delivery

NOVELA DOS 30 – EDIÇÃO COMPLETA

Quando se tem 30 anos e está solteira, tem-se um problema sério nas mãos: você já atingiu um grau de maturidade que lhe permite não pensar só em relacionamentos. Afinal, você tem uma carreira na qual deve se destacar, tem uma vida social atribulada e ainda tem um trabalhão para se manter arrumada. É muita coisa para uma vida só. Você acorda todos os dias precisando de coisas como: começar um regime, entrar na academia, marcar manicure, fazer compras, pagar as contas. 24 horas se passaram e você ainda não fez nem 3 das 35 tarefas que tinham no seu palm. Mas, ainda assim, você está feliz. Homens não são mais a prioridade na sua vida. Será??? Vamos para mais um dia na vida desta mulher.

CAPÍTULO 1 – ACORDANDO

acordar2

Você acorda pela manhã e percebe que não tem ninguém ao seu lado. Ótimo! Você não tem que se preocupar em acordar antes dele para escovar os dentes correndo, pode usar a privada da maneira que bem entender e dar escova sem se preocupar com o barulho.
O dia já começou bem. Tomei meu café, mas tenho que ser bem moderada – não estou malhando e hoje vai ter aquele evento super chique. Comprei o vestido há 3 semanas (um número a menos que o meu para tomar vergonha e emagrecer para o evento). Nesta festa, estará concentrado o m2 mais bonito da cidade. Vários prospects. Quem sabe lá eu não arranjo um namoradinho para levar para os eventos de família. Se não, pelo menos um PA. De acordo com meus cálculos, devem ter umas 3 semanas que não saio com ninguém e deve ser por isso que comecei a ter dor de cabeça constantemente. Será que falta de sexo causa queda de cabelo? Notei, no ralo do meu banheiro, mais de 100 fios, ou seja, mais do que o permitido, de acordo com a revista Cláudia. Bom, lá na festinha, meus problemas acabarão. Decote a La Catherina, boca a La Jolie e cabelos a La Aniston. Tudo em cima da cama organizadinho para a noite. Corri para o carro e lembrei que esqueci os óculos escuros e, pelo visto, vou ficar muito tempo no trânsito e posso adquirir um pé-de-galinha por causa do sol. A cidade inteira combinou de sair na mesma hora.

E lá vou eu, como milhões de pessoas, a caminho do trabalho.

CAPÍTULO 2 – NO TRABALHO

escritorio

Cheguei no trabalho com 30 minutos de atraso e meu Outlook está igual à cidade: congestionado. Vamos por partes: a primeira coisa a fazer é ler o horóscopo, ver qual é a atriz que faz aniversário neste dia e imaginar como ela reagiria diante deste Outlook. Segundo passo é pegar um café e ficar semi-depressiva ao pensar na atriz, escovada, maquiada e com um vestido fantástico rindo da sua cara e dizendo:

- Que idiota que você é. Você acha mesmo que eu não tenho uma assessora para fazer isso para mim? Enquanto você abre o seu Outlook, eu estou acordando para ir para a minha sessão de massagem (e acaba com ela soltando uma gargalhada maligna).

Puff!!!  Eu acordo e penso no livro “Não deixe para amanhã o que você pode fazer agora”. Qual era mesmo o primeiro tópico? Ahhh…

Tópico 1:
Faça uma coisa de cada vez.

Está bem.

Email 1:

Oi amiga,

Perdi 3 kg pra festa e entrei na minha calça nova. Conseguiu atingir a meta? Torço por você.

Obs: não se esqueça de depilar.

Amor, Miguxa

Pausa para digerir o primeiro email. Pronto.

Vaca. Quem ela pensa que é para falar estas coisas? Alguma Gisele? Ela bem que precisava era perder mais uns 10 kg, isso sim. Deixe-a. Quando eu chegar com meu novo decota na porta da festa, vamos ver se ela vai continuar com todo este amor.

Email 2:

Gata,

Se não tiver carona pro evento, eu vou com + dois amigos. Posso te buscar e você ainda vai no banco da frente comigo.

Bj gostosa

Uma pausa ainda mais longa do que a primeira…

Acho que terei que avisar a este rapaz que a festa é proibida para menores. Ai Senhor, ajudai esta pobre alma. Só ele para achar que, com todos os prospects na festa, eu vou pegar uma carona justo com ele.

Email 3:

Preciso adiantar a entrega da pesquisa para o cliente, que seria no dia 30/7, para amanhã: 2/7. Passe os dados tabulados para o meu email até às 17 horas.

Att,

Pedro Alcântara

Diretor executivo
Preserve o meio ambiente, pense antes de imprimir.

Pausa para eu explicar os detalhes: o cliente é uma marca de cuecas conceituada no mercado e quer saber se está apertando muito a frente da cueca e outras perguntas mais.

Número de homens para serem entrevistados: 200.

Número de entrevistados até o dado momento: 120.

Respire, pegue esta pesquisa e passe para toda a sua lista de: Orkut, Facebook, MSN, blog e o que mais você tiver de comunidades e sites de relacionamentos.

Organização do envio:

1 – Amigos que eu nunca vou beijar:

Please, preciso disto urgente, senão perco o emprego. Eh para hj. Não deixe uma amiga desempregada.

Bjuuuu

Anexo: underwear.doc

2 – Amigos que eu já beijei

Oláááá, vc poderia me ajudar com esta pesquisa? Eh p/ hj. Prometo que, se você me ajudar, eu vou conferir se toda a pesquisa procede.

Hehehehehe

Bj gostoso pra vc. De sua amiguinha. ;)

3 – Amigos que eu ainda quero beijar

Olá, preciso completar uma pesquisa aqui para o trabalho sobre underwear. Você teria um tempinho para responder algumas perguntinhas? Vou aguardar para vermos quando podemos reunir.

Beijo e obrigada.

Obs: é lógico que vou perder estas pesquisas, mas, pelo menos, terei com quem jantar.

Depois de passar a manhã inteira respondendo emails e enviando pesquisas (e louca de fome) brotaram mais alguns emails no meu Outlook. Vou almoçar e, depois, volto aos emails.

CAPÍTULO 3 – NO ALMOÇO

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Almoço é um tópico muito importante do meu dia porque , como o meu único problema é aquele maldito pneu de trator que fica acima da minha calcinha bege de algodão, eu não posso deixar maior. Você, perto do 30, começa a perceber como consegue reter líquido com uma facilidade surpreendente. Um camelo perde feio. E outra coisa que você nota é que, aquelas dietas da sopa, da água, do ar e da fotossíntese não fazem você emagrecer tão rápido como anos anteriores. O que era simples torna-se um suplício. O meu almoço para dias especiais é composto por: 3 folhas de alface, ½ tomate e 1 bolinha de queijo mussarela de búfala light. Minha barriga continua pedindo, mas não podemos fazer todas as vontades deste ser estranho ou o nosso corpo acaba virando uma bola. Tomo um expresso para digerir o resto da minha parede do estômago e começo a minha tarde.

CAPÍTULO 4 – A VOLTA DO ALMOÇO

Os emails recebidos foram divididos em pastas:

1 – Pesquisas

1.1 Amigos sem beijo

1.2 Amigos com beijo

1.3 Prospects

Agenda após os emails recebidos:

2 encontros com prospects

1 encontro com um já beijado

Pausa para um pensamento solto: a vaca da minha amiga até que lembrou bem. Eu preciso depilar A.S.A.P. Como já têm 3 semanas que não saio com ninguém, também têm 3 semanas que não depilo perna e virilha e não faço as unhas do pé. Ai ai. Não tem nenhuma depiladora com horário pros próximos 3 meses. O jeito é ir no Jacques Janine. Só para sorrir são R$ 50,00, junto com a depilação e o pé e mão: R$ 200,00. Tudo bem, vai valer a pena. Depilação em véspera de eventos é como apostar no cavalo número 2 – no final, sempre vai ser vitória. Marquei para as 18:30h. Esta é uma das vantagens de trabalhar ao lado do shopping. Consegui arrecadar 92 pesquisas e abençoei todos os sites de relacionamento. Às 17:30, estava em processo de tabulação de dados. Vejam só: VITÓRIA na minha carreira. Terminei a missão impossível do sacana do meu chefe e consegui receber um parabéns dele e uma estrelinha dourada na testa. Agora, após as conquistas profissionais do dia, vou preocupar com os problemas que, realmente, importam: faltam 15 minutos para a minha depilação. Arrumei as coisas, desliguei o computador e lá fui eu, que nem uma louca, para o salão.
CAPÍTULO 5 – OS PREPARATIVOS

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CAPÍTULO 6 – O EVENTO

Chegando em qualquer evento, a coisa mais importante é a saída do carro: você deve sair confiante, destemida, nariz empinado, dar um sorriso amarelo para o manobrista para se dizer metida e uma piscadinha para ele se sentir feliz e não demorar com o seu carro na saída. Após eu explicar para você como tudo deve ser feito, na primeira oportunidade que eu tenho, cago toda a história: saí tropeçando do carro, quase caio no chão e acabei nos braços do manobrista. CATÁSTROFE. Será que alguém bater uma foto desta situação bem na hora? A próxima matéria de Caras vai ter uma foto na hora da semi-queda com highlights: “RP nos braços do manobrista”. O que vai ser da minha vida agora? Tentando recobrar a consciência, saí dos braços do manobrista com uma única certeza: meu carro vai chegar muito rápido na saída. Então, se eu sair com alguém porque este alguém deixou a sua Mercedes em casa, posso dar uma carona no meu Fiestazinho que ele vai chegar voando na saída. Só o manobrista que vai ficar um pouco triste, pois estava esperando que ele fosse o escolhido. Fechando esta parte macabra do início de evento, descobri que, para tudo, há solução.

Entrando na festa, foram lançados alguns olhares para mim. Ainda atordoada, fiquei sem saber se era por causa da semi-queda ou por causa do meu decote. Preferi pensar na segunda opção, apesar de ter perdido toda a minha auto-confiança quando desci daquele carro. Desci as escadas como havia planejado fazer no carro: com o nariz em pé e a passos lentos, mirando um olhar no além (e o outro na escada. Não poderia passar por outro vexame). Procurei alguém para sociabilizar e encontrei minha amiga. Encostei nela correndo para que fosse passado um relatório completo.

Relatório: muito casal, alguns gays e vááriosss prospects, como eu havia imaginado. Fomos para a mesa de bebidas sorrindo, sem saber nem do quê. Chegando nela, tinha um carinha ao meu lado que deu um sorriso de canto de boca. Sorri de leve, mas não dei tempo para ele papear. Tinham mais homens bonitos do que eu pensei. Peguei meu espumante e fui para um canto do salão aonde eu pudesse ter uma visão ampla de todo o evento. Eu e minha amiga ficamos conversando nada para fingir que tínhamos assunto e olhando para todos ao mesmo tempo. Passaram uns dois esperando que a gente olhasse. Quase aprovado, mas eu achei que dava para esperar mais um pouco. Não eram feios não, mas os maravilhosos estavam do outro lado do salão. Vamos pesquisar só mais um pouquinho.

De repente, um amigo acenou para mim do outro lado do salão. Minha amiga pareceu um pouco afoita em sumir. Liberei ela e lá vai eu, passeando pelo salão. Os carinhas mais ou menos que tinham passado por mim ficaram me comendo com os olhos e eu, claro, imaculada e linda indo em direção a meu amigo. Reparei que, quando encontrei o meu amigo, os dois pararam de olhar. Não chegou a ser tão preocupante porque eram só 2 em 2.000.

Resolvi que era mais interessante começar batendo um papo com amigos que eu via ocasionalmente. Depois de 20 minutos, tinha eu e mais quatro viados lindos ao meu lado. O papo estava muito bom e não vi o tempo passar. Depois de muita risada que eu me dei conta: as pessoas estavam bêbadas, eu estava no local certo e pessoas erradas. O que deu em mim? Dei um beijo no meu amigo e fui andando para o outro lado do salão. Quando dei por mim, os Tudo de Bom estavam trêbados, os mais ou menos estavam de mãos dadas com outras mulheres e….

… minha amiga estava SE AGARRANDO com um dos mais ou menos que vimos no início da festa atrás de uma pilastra. O que aconteceu com todo mundo? Todos surtaram? Não entendi mais nada. Minha cabeça começou a virar e eu não acreditava no que estava acontecendo. Todo o trabalho que tive foi por água abaixo. Meu decote não servia mais pra nada.

Ao lado da mesa de bebidas tinha um banquinho e foi lá que eu comecei a digerir a catástrofe. Sentei e olhei para o nada, esperando uma resposta para todo este mistério do mau no qual eu estava imersa. Tive um outro princípio de depressão no mesmo dia. E nem estou de TPM.

Depois de uns 10 minutos sentada olhando pro além, eis que chega uma figura adônica ao meu lado. O cara mais lindo que eu vi na festa. Neste momento, percebi como a minha sorte havia virado. Quero ver agora eu sair daqui solteira. Ou, pelo menos, sem a história de uma figura máscula em cima de mim esta noite. Parecia cena de filme: ele tinha uma fumacinha saindo por trás dele e as luzes iluminando de trás pra frente… ele estava chegando do céu. Olhou para mim como se estivesse perguntando se eu estava só. Não, se o lugar estava vago (vamos ser honestas). Eu olhei para ele e soltei com a voz mais sexy que poderia ter conseguido naquele momento: “Pode sentar”. Ele sentou e eu não fiquei olhando diretamente nos olhos dele.

Acho que deveria ter olhado diretamente nos olhos dele para perceber como ele estava bêbado e a ponto de vomitar atrás do banco no qual eu estava sentada e acabar com toda a magia de uma vida. Catástrofe à milésima potência. Esta noite toda não passava de um pesadelo do qual eu iria acordar e ver que a festa nem havia começado. Demorei a perceber, mas tudo era a mais pura verdade. Levantei e o vi suplicando para ajudá-lo. Tudo que eu queria era ter uma arma naquele momento. Ou uma mangueira para meter água na cara dele. Saí andando para um corredor perto da cena do crime e encostei-me à parede para meditar. Já não era nem mais para pensar no que aconteceu de errado. Era para que este pesadelo real acabasse de vez. Comecei a pensar nas coisas boas da minha vida: na minha família, no meu trabalho bem-sucedido, nos meus travesseiros, no meu cobertor, no meu pijama, em uma caixa de chocolate que havia escondido em cima do armário para uma emergência de grande porte. Este era o dia. Chocolate suíço era o RED CODE de qualquer situação. Não estava nem tão bêbada a ponto de não conseguir pegar uma cadeira e apanhar os mimos dos deuses.

Na esquina do corredor, nem tinha percebido um rapaz que começou a puxar assunto. Eu não estava muito aberta a conversas em um momento tão desastroso, mas não tinha outra opção. Ou conversava ou ia embora. Optei por conversar e ficar com sono suficiente a ponto de só conseguir engolir 25 bombons da caixa tamanho família que continha 45. A primeira coisa que ele falou foi: – Sinto muito pelo meu amigo. Foi ele quem vomitou ao seu lado.

Com a raiva tomando conta de mim, pensei naquele monstro horripilante e fedorento ao meu lado, mas percebi que não podia matar o cara só por ser amigo desta figura. Pedi para mudar de assunto e vi que ele era advogado de uma empresa grande que ficava ao lado do prédio onde eu trabalhava. Ele almoçava no restaurante na mesma rua que eu. Que coincidência você achar uma pessoa que trabalha tão perto de você numa cidade tão grande. Batemos uns 30 minutos de papo e o sono bateu. Pedi desculpas e licença. Amanhã era outro dia e precisava descansar. Se não era boa em paquerar, pelo menos, deveria ser boa em trabalhar. E isso eu fazia muito bem. Isso eu era excelente. Acho que depois deste pensamento, diminui o número de chocolates para 10. Ele pediu meu telefone, mas não tinha papel pata anotar. Falei rapidinho e nos despedimos com um beijo no rosto. Ele nunca iria decorar o meu telefone, mas valeu a pena ter batido um papo com ele. Era uma graça o rapaz. Pena que não tinha visto ele antes. Mas com o meu estado emocional distorcido por causa dos problemas anteriores, não consegui perceber isso na hora.

O manobrista deu uma risadinha pra mim e foi buscar meu carro. Foi até rápido, como havia pensado. Entrei no carro e tirei o salto. Como aliviou os pés, mas a cabeça começou a ficar a mil. Por que não tinha visto este cara antes? Por que não anotei o telefone dele? Por que não consegui uma caneta para ele anotar o meu? Por que não fiquei mais tempo na festa? Estes porquês começaram a me sufocar e eu preferi fazer um respiratório que aprendi na “Bons Fluidos”. Até que funcionou. Aprendi, há um tempo, a não menosprezar estas dicas de revistas. Elas podem ser bem úteis na hora do desespero.

CAPÍTULO 7 – EM CASA

Cheguei em casa e, no elevador, comecei a tirar o vestido. Foda-se se tiver uma câmera escondida e ou se o vizinho aparecer na porta na hora que tiver abrindo o apê. Se bem que, um senhor de 75 anos, se abrir a porta às 3:50 da manhã e me ver pelada e ter um infarto, ele estava predestinado a morrer. Desculpa, mas é a mais pura verdade. Nada destes pensamentos viraram realidade e entrei no apê jogando uma peça de roupa em cada canto da casa. Acho que preciso começar a ser um pouco mais organizada para a minha empregada não ter que pedir demissão por justa causa. Entrei no chuveiro e foi o banho mais gostoso que eu tinha tomado na vida. Finalmente tinha algo quente tomando conta de mim. Era só água, mas, porra, naquele momento era a água mais quentinha e gostosa que tinha passado pelo meu corpo. Pensei no trabalho e em tudo o que eu iria fazer no outro dia e não pude deixar de ficar satisfeita com ele. Era algo que eu gostava de fazer e que me dava estrelinhas douradas mentais a cada trabalho finalizado. Coloquei o meu pijama mais fofo, mais velho e mais cheiroso e fui dormir. Tentei não pensar na noite. Tentei não pensar no advogado. Como não consegui parar de pensar, comecei a imaginar que ele seria o estagiário do dono da empresa. Que o carro dele era um Gol 87 e que ele não conseguia passar nem um fax com competência. Mas a cara dele e o papo não negavam que ele era inteligente.

Fechei os olhos e acordei num pulo com o despertador tocando “You´re beautiful”. Parece que nem dormi. Que ressaca. Que sono. Que merdaaaa!

A rotina começou. Peguei meu palm, percebi que as tarefas estavam intactas e decidi que seria o começo de uma nova era. Odiava os homens e não precisaria deles para ser feliz. Tirei uma folha do meu caderno e escrevi bem grande: “Homens. Quem precisa deles? Eu preciso ser feliz.”. E comecei a entoar o meu mantra. Tomei banho e inventei até um ritmo pra cantar este mantra. Algo bem Yoga e bem cantos gregorianos. Muito brega, mas acho que vai funcionar. No café da manhã. Comi pão normal com manteiga e tomei leite integral com Toddy. Que se dane. Começarei a academia hoje a noite. Não importa que seja quarta-feira. O livro me mandou fazer uma coisa de cada vez e começar logo as minhas tarefas, para poder me livrar logo delas. Então, que seja feita a pior das tarefas: ir para a academia. Coloquei o meu perfume importado antes que ele estrague por falta de uso e fiquei linda para o meu dia de ser uma nova mulher. Passei até na floricultura no caminho do trabalho para comprar um cacto bem bonito. Cactos são muito interessantes e têm tudo a ver com o meu momento. Eles só precisam de água uma vez por mês. Por que eu precisaria, então, de homens todos os dias da semana? É isso: sou uma nova mulher, numa nova fase, com o símbolo da falta de necessidade – o cacto.

CAPÍTULO 8 – NOVAMENTE NO TRABALHO

No trabalho, antes de ver o meu horóscopo, achei uma imagem de um cacto no Google e defini como plano de fundo. Nunca mais poderia esquecer do meu símbolo de independência e força. Vi o meu horóscopo, mas não cheguei a ver a atriz que faz aniversário. Ela que se foda. Sou mais eu mesmo. Eu estou batalhando todos os dias enquanto esta puta está tomando massagem de um profissional (do sexo). É uma viada mesmo. Aliás, não sei porque estou tão revoltada. Era para eu estar feliz – sou independente, linda, inteligente. Deixa pra lá.

Tomei um café bem forte para depois abrir o Outlook. Mais um dia de Outlook super lotado. Muitos dos emails eram sobre o dia anterior. Preferi nem abrir. Coloquei em uma pasta separadinha para, se eu tivesse vontade ou coragem, ler depois. Mergulhei de cara no trabalho. Esqueci do mundo e até do meu celular no silencioso dentro da bolsa a manhã inteira. Foi bom. Tinha ligação de minha amiga, minha mãe e do dentista. Além de dois números desconhecidos e duas chamadas privadas. Fiquei curiosa, mas decidi ligar após o almoço. Queria pensar no meu momento como mulher. No almoço, nada tirava a minha concentração. Não vou mentir que pensei duas vezes em quem poderia ter me ligado daquele número, mas desviei o pensamento para o frango grelhado que estava prestes a saborear. Suco de clorofila e adoçante. Me senti uma planta, mas achei que seria muito saudável.

Cheguei levíssima no trabalho a peguei meu celular correndo. Chamadas não-atendidas: telefone misterioso. Tirei o telefone do gancho e comecei a discar. Algo me dizia que poderia ser alguém especial. O advogado, um paquera da pesquisa, um ex-namorado…Tuuuuuuuuuu, tuuuuuuuuuuuu,: – AlôôÔ???.

- Mãe???

- Oi filhaaaaa. Liguei pra avisar que estou com celular novo. Só para você deixar anotado. Liguei do meu antigo, mas a linha está sendo desligada amanhã.

Tu, tu, tu… Não poderia agüentar. Dei na cara dela. Ela me iludiuuu.

Não sei do que, afinal, estou me recuperando de um mal, mas me iludiu.

Continuei a percorrer todas as tarefas no Project. Uma era parar de fumar, outra era parar de comer chocolate, academias, economias, etc.

Enquanto trabalhava, programava como iria seguir o crono. No meio da tarde o telefone tocou. Fiquei até com medo de que fosse minha mãe com uma terceira linha, mas atendi: cliente. Tudo bem; executo a tarefa de sorrir, como farei com todas as pessoas que amo e que odeio, e falei gentilmente com ele. Terminei o meu trabalho e me dei um presente como há muito eu não me dava – achei o telefone de um Day Spa e pedi uma Hour Spa para tomar um banho de ofurô. Paguei a modesta quantia de 150,00 por um banho, mas saí muito mais aliviada e feliz. Meu dia está completo. Agora só falta o meu bendito pijaminha para eu ser a mulher mais feliz do mundo. Comi só mais dois bombons da caixa inteira (o que é uma vitória e um milagre) e comecei a ler um livro. A meta eram quatro livros por mês. Se não vou sair com ninguém, preciso exercitar a mente. Na página 50 eu já estava morta e sem forças para virar a página. Eram 22 horas e eu não sairia da cama por nada deste mundo. Era a coisa mais gostosa que eu poderia fazer: dormir o sono dos justos (é justo eu não ter ninguém pra dormir comigo? Forget it.). Boa noite.

CAPÍTULO 9 – MAIS UMA VEZ, EM CASA

Às 22:15, o telefone começou a tocar uma canção dos infernos. Eu estava no pré-sono; aquela hora que você toma susto, às vezes tem a sensação de que está caindo e abre os olhos rapidamente. Número desconhecido. Fiz um download mental de todos os palavrões que poderia ter decorado em toda a minha vida e já estava preparando para soltar um arroto verbal quando a voz de um anjo ecoou no meu cérebro. Era o advogado pedindo desculpas por estar ligando tão tarde, mas ele tinha que terminar um contrato e só pôde sair do trabalho naquela hora. Que coisa mais linda. Ele é um fino. Claro que eu o desculpei na hora. Não é toda hora que você ouve uma coisa tão sonora e educada. Pensei nos pedreiros quando passamos por uma construção que falam tudo o que você não ouviu em uma vida (mas se você não ouvisse nada, teria uma depressão para o outro resto da sua vida); pensei no meu ex-namorado no final do namoro me chamando de imbecil. Isso não aconteceria com este lorde. Ele seria o meu príncipe encantado. Ele falou que passaria em casa para me pagar para jantarmos. Falei que ele poderia passar em 10 minutos que eu estaria pronta e desliguei com uma planilha do Project aberta na minha mente e todas as tarefas que deveriam ser executadas neste período tão longo que eram os 10 minutos:

30 segundos: separar a maquiagem e a roupa

30 segundos: separar o sapato

2 minutos: maquiagem

1 minuto: confirmar se a lingerie está combinando com a roupa e o sapato

10 segundos: colocar papel toalha debaixo das axilas para não suar por causa da corrida

50 segundos: se olhar no espelho

1 minuto: escovar os dentes e enxaguante bucal

30 segundos: perfume correto

3,5 minutos: sentar no sofá e repor todo o ar que eu perdi durante esta maratona

Perfeito, ele chegou em 15 minutos, mas não tinha problema. Deu tempo de repor o fôlego e descer como se já estivesse pronta há um século.

CAPÍTULO 10 – O PRIMEIRO ENCONTRO OFICIAL

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O carro dele era lindo, o som era bossa nova e a climatização era perfeita. Ele era mais do que um príncipe; era um príncipe e uma pessoa de bom gosto. Perfeito. Acho que os anjos da boca mole me ouviram e disseram Amém. Fomos jantar massas. Não lembrei nem da dieta que estava no meu primeiro arquivo mental do Project. Mas não tinha problema porque sexo não era algo que estava incluído e eu acho que um seria perdas e outro seria ganhos. Dava para equilibrar todo o contexto. Um vinho suave muito gostoso e uma noite regada a “bom gosto”. Perfeita. Ainda bem que não comi muito. Controlei a minha ânsia de comer massas. Indo para o meu apartamento, ele mostrou quem ele realmente era – lembrei do lobo mau que te ouve melhor, te enxerga melhor e ainda te come. O cara sabia fazer o trabalho dele. Macacos me mordam ou não, ele sabe morder como ninguém.

Tinha um vinho na despensa até bonzinho e esqueci só de uma coisa: arrumar a cama. Ai ai ai, ele vai perceber que já tinha ido dormir e se eu desmentir, ele vai me achar uma porca por não ter arrumado a cama. Se bem que eu não arrumo e ela só é arrumada quando a empregada está lá. Hoje não foi um destes dias. Então, as duas coisas estavam certas – nem arrumei e já tinha ido dormir. Acho que, sempre que uma pessoa chega na casa da outra, pede para ir no banheiro primeiro. Eu tinha que usar este tempo de forma super inteligente. Sem parecer que estava correndo e com pressa para deixar ela um brinco. Pensei em tudo isso e nem tinha chegado em casa ainda. Quando chegamos lá, eu perguntei se ele não queria subir e ele aceitou. Estava tudo formigando e eu estava à milhão. Subimos e executei as tarefas de maneira exemplar e ele não notou nadinha. Liguei a TV e consegui conectar meu iPhone à TV. Sorte minha que tinha comprado um Home Theater há duas semanas e o som saiu perfeitamente.

Ele, sentado no sofá, aguardou com as mãos cruzadas, olhando todos os cantos da sala sem prestar muita atenção. Depois de mais de uma prova de 100m (fazer a cama em apenas 1 minuto), pensei por mais 1 minuto se deveria mudar a roupa para algo mais sexy. O que será que ele pensaria de mim?

a) preciso dar
b) se eu não der hoje, não darei mais nunca
c) aff!!! Desesperada
d) NDA

Melhor não arriscar. Com o mesmo vestido, voltei para a sala. Ofereci um vinho e ele aceitou na hora. Para quebrar o gelo criado pelo espaço de tempo de 5 minutos, ele perguntou do sofá. Era uma peça de 3 lugares com um puff de extensão do mesmo tecido. Ótimos para filmes por virar uma cama de casal quando quero assistir um. Antes mesmo que eu começasse a falar tudo o que eu sabia sobre arquitetura desde os tempos da Grécia antiga (meu arquiteto me queria como cliente de qualquer jeito , me dando uma aula de 4 horas de feng shui, quadrados e círculos, rococó, art nouveau e eu, desejando, a cada segundo, que ele não fosse gay e não gastasse meu precioso tempo falando algo que eu nunca quis aprender).
Bom, voltando: antes que eu começasse a falar, ele me puxou pela cintura e começou a beijar minha barriga (Sexy!) – GOLPE BAIXÍSSIMO. Lembro do vestido ter caído em cima da TV de plasma e ele ter gemido alguma coisa sobre o meu perfume. Caí na real quando, no meio do sexo selvagem que estava sendo praticado,o meu puff, que era uma extensão do belo sofá, começou a patinar na sala, abrindo um canyon e nos jogando ao chão. Eu estando por baixo, sofri muito mais. FODA-SE O GALO que apareceu. Eu estava dando. Ele ficou preocupado comigo, me segurou e tentou me carregar.

Será que ele não havia entendido a gravidade da situação? Eu estava dando e ele queria parar por conta de um galinho de nada…

Furiosamente, juntei os nossos corpos no chão, olhei bem fundo dentro dos seus olhos e tudo o que consegui falar foi:

- Con-ti-nueee!!!

Não sei bem se ele ficou assustado com o meu olhar assassino ou preocupado com a minha cabeça, mas tudo acabou bem.

Depois de 30 minutos, quando recobrei o juízo, fiz uma breve análise do cenário. Os pensamentos começaram a brotar. Uma série de interrogações povoou a minha mente e, a pior de todas foi: – Ele está com uma cara muito assustada. Será que ele vai querer saber de mim depois disso? Será que ele me achou uma vaca por ter dado no primeiro encontro? Será que ele vai pegar as roupas dele e colocar debaixo do braço e correr pelo prédio todo dizendo que todos têm uma vizinha desesperada? O QUE SERÁ DA MINHA VIDA???
CONCLUSÃO: Eu nunca mais vou dar.
Minha noção de tempo é perfeita e eu percebi que todos estes pensamentos passaram pela minha cabeça em um período de 15 segundos.
Ele olhou para mim e eu rezei para que ele, pelo menos, fingisse que não estava tão assustado.
Quando ele pegou fôlego para falar tudo o que queria, simples e objetivas, as palavras saíram:
- Você está com um galo grande na cabeça. Posso pegar um pouco de gelo? Você fica aí, deitada no sofá, e eu fico com você aqui hoje. Teria algum problema?

Não sabia se ria, se chorava ou se o pedia em casamento. Naquele momento eu só tinha uma certeza: eu iria acordar com ele ao meu lado.

FIM

FESTA PARA UMA FÃ

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Atendendo a pedidos de fãs (que, as vezes, tem gosots muito exóticos) coloco aqui – como nas Tititi’s da vida – a foto de uma das maiores fãs do Tagarelando. Ela fez aninhos dia 10 de abril e estava doida pra ganhar este espaço para ela.

Obs: Ericota chama-se de: lindaaaa, deusa com ar de menina e perfeita.

É deste tipo de mulheres que o mundo precisa: decididas e que sabem como são.

PARBÉNS ERICOTAAAA

A VERDADEIRA HISTÓRIA POR TRÁS DO BUQUÊ

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Minha amiga foi para um casamento ontem. Ela disse que foi um casamento lindo, de frente para o mar. Ela fala muito desta amiga dela que casou. Ela disse que foi a pessoa responsável por esta união (o comidão) e se sentiu no direito de ser a madrinha, mesmo o casamento não tendo padrinhos e madrinhas. Ela é meio louca, mas a gente aceita porque amigo é pra estas coisas (agüentar maluquice faz parte do pacote).

Depois da cerimônia, começaram a servir as bebidas e comidas e ela começou a beber bastante, esquecendo da hora do buquê. Mulher tem destas, não é? Acha que será a próxima a casar por conta de um buquê, mas a história da minha amiga é mais profunda. Vamos começar:

Um belo dia, anos atrás, minha amiga estava em num outro casamento. Ela namorava há 3 anos, estava muito feliz e achava que o namorado seria o homem da vida dela. Eles tinham vários planos de vida; um deles era casar. Na hora da noiva jogar o buquê, ela estava na linha de frente das desesperadas pensando: “se eu pegar este buquê, dá para adiantar o nosso casamento”. Na hora da contagem, ela se posicionou de goleira e se jogou na frente de uma mulher para pegar este buquê. Quase toma um tombo, mas conseguiu. Ficou muito feliz com a conquista, não sabendo ela a praga que a menina que não pegou o buquê rogou – A PRAGA DO DEDO PODRE.

Obs: para quem não conhece, a “praga do dedo podre” é uma espécie de maldição que atinge 50% das mulheres do mundo. Quando elas adquirem esta praga, automaticamente, qualquer homem que está perto delas passa a não prestar mais. Pode ser uma mistura de Brad Pitt com o Papa. Vai virar: cachorro, michê, açougueiro, o que for. Não importa a macumba que façam, ela só desaparece com outro feitiço.

Voltando ao casamento atual: na hora da noiva jogar o buquê, a minha amiga teve a sensação de que a sua vida iria mudar. Mais uma vez, estava ela na frente do mulherio insano, preparando-se para o pênalti. A noiva, após várias brincadeiras, jogou o buquê…

TRILHA SONORA: Carruagem de fogo

TOMADA 1: Câmera lenta fechando na minha amiga.

Ela pegou o buquê, quebrando, automaticamente, o feitiço maligno jogado pela outra mulher. A “praga do dedo podre” ficou presa ao buquê que a noiva jogou. Alívio. Ela estava livre.

De repente, quando ela estava virando para comemorar, uma mulher atacou-a ferozmente (hehehehe), desesperada pelo prêmio. Minha amiga não sabia o que fazer. Ela ia avisar para a mulher da praga, mas, sem querer ouvir e atacando bravamente a minha amiga, roubou-lhe o buquê, levantando e sorrindo diante da sua vitória e da sua, ainda desconhecida, sina.

Horas depois, minha amiga, praticamente em estado de latência mental, bêbada, conversando animada e feliz com todos da festa, encontrou o noivo da “vencedora”. Ela teve pena, mas ficou em silêncio, atestando o futuro que a vida reservava a estes dois.

Ao acordar, ela só conseguiu suspirar aliviada porque um novo futuro a esperava. Abraçou a privada e contou toda a história do dia anterior para ela. A privada e ela ficaram muitos minutos a se olhar, sem saber o que dizer uma para a outra.

E esta foi mais uma linda história que acabou bem. Pelo menos para minha amiga.

obs para a garota de vermelho: Neguinha, fica chateada com a história não. Minha amiga deseja para todas o que ela deseja para ela mesma. Pode ter certeza de que você será muito feliz, com ou sem buquê. heheheheh. No final, você saiu com ele na mão e rendeu uma história a mais para o blog.

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Esta história é dedicada a uma das minhas melhores amigas, Renata, e ao seu marido, Katia Flávia. Vocês serão muito felizes juntos. Amo vocês demais!!!

Crônicas da TPM

Os homens são criaturas misteriosas. Eles sempre dizem que as mulheres são causadoras de confusão, mas a verdade é que, o estopim da situação sempre é o sexo masculino. Isso acontece desde os tempos da criação do mundo e, para provar como estou certa, vamos contar a história do primeiro casal da humanidade: Eva e Adão. Esta história que vocês vão ler é baseada em fatos reais e é a versão sem cortes. A verdade pode doer, mas é libertadora.

A fazenda onde Eva e Adão moravam era um lugar lindo e tranqüilo, com muitos animais, plantas e um lindo rio caudaloso. O nome da Fazenda era Paraíso. Lá habitavam vacas, galinhas, veados e até algumas cobras perto da floresta.
Toda vez que Adão passeava pelo galinheiro, as galinhas ficavam alvoroçadas, cacarejavam, botavam ovo e corriam pelo galinheiro. Adão retribuía esta alegria cantando de galo para elas.
Eva, por sua vez, quando passava por perto do galinheiro, era recebida com pinicadas e carreiras. Era uma situação muito estranha, mas ela resolveu que não deveria mais freqüentar o galinheiro, apesar de não gostar de Adão ficar tanto tempo cantando de galo por lá.
O mesmo ocorria no curral. Era Adão chegar e as vacas já mostravam as tetas para Adão ordenhá-las e, mais uma vez, na hora da sua esposa ordenhar as vacas, os animais não permitiam e ainda deixavam um rastro de bosta para ela.
O único animal com o qual Eva se sentia bem era com o veado. Quando Eva chegava ao seu lado, ele brincava com ela, lambia o seu rosto e saltitava sem parar. Quando Adão chegava, o veado também fazia festa, mas, ao invés de lamber os seus cabelos e saltitar, ele puxava o saco de Adão. Restava a Eva ir atrás de folhas de parreira para compor a vestimenta do casal.

Um belo dia, o casal acorda e vai colher algumas frutas. Eva estava pegando bananas quando vê Adão, na macieira, conversando com uma cobra. Ela fica curiosa para saber o assunto e encosta nos dois. Lá estava a cobra, pedindo para Adão comer a maçã e dizendo que era uma fruta muito gostosa. Adão se lembrou do fazendeiro, que lhes vendeu as terras, havia dito para não comer as maçãs da terra, porque elas davam diarréia.
Ele disse para a cobra que não iria comer. Ela insistiu e ele fez pouco caso. Eva, que ouviu tudo, pediu para que a cobra se retirasse pra que eles continuassem a colher as frutas em paz. A cobra olhou para Eva, olhou para Adão, e começou:

Começa a cobra: – Credo Eva, estas folhas de parreira estão te engordando. Você já não é mais tão novinha para ficar colocando esta barriguinha pra fora e deixando estas celulites bombarem aí nas suas pernas. Há de convir, também, que os seus peitos estão meio moles e um pouco caídos. As tetas das vacas estão bem mais durinhas do que as suas, concorda Adão.

Adão, sem graça e com a mão na nuca, retruca: – Veja bem, cof cof, nunca tinha parado pra pensar por este ângulo – e tenta sair pela tangente.

A cobra alfineta Eva: – Além do mais, a maçã tem proteínas, fibras, caso você coma uma maçã toda manhã, você ficará menos ansiosa, mais disposta e mais magra.

No que Eva responde: – Mas ela causa diarréias. Isso pode fazer mal.

É quando a cobra dá o bote: – Acho que você consegue perder este pneuzinho aí com uma crise estomacal, concorda?

Eva, tremendo de nervoso e ansiedade, solta esta: – Não. Muito obrigada. Adão sempre gostou de mim do jeito que eu sou. Não há necessidade de ficar mais magra e com peitos mais duros.

O que ninguém sabia é que Eva estava de TPM.

Adão, parando pra pensar, retruca: – É Eva, pensando melhor, a cloaca das galinhas está bem mais aberta do que a sua, as tetas das vacas são bem mais durinhas mesmo e, sem contar que, se este pneuzinho saísse de cima da folha de parreira, você conseguiria cuidar com maior facilidade dos afazeres domésticos.

E foi assim que Eva comeu a maçã. No auge da sua TPM.

Quer saber o final da história?
Eva menstruou, recobrou o seu juízo, contratou um advogado e pediu o divórcio. Adão teve que vender Paraíso e eles partilharam o dinheiro. Os animais, na partilha, ficaram com Adão, mas o leite das vacas azedou e as galinhas fugiram e foram ciscar em outro terreno.
Adão alugou um apartamento com TV a cabo e geladeira e levou o veado para morar com ele.
Já Eva, abriu uma clínica de estética e chamou a cobra para será consultora de cardápios das pacientes. As primeiras clientes foram as vacas e galinhas que moravam em Paraíso. Elas foram morar numa fazenda perto chamada Inferno. O seu dono pagava muito bem para que as vacas dessem um bom leite e as galinhas colocassem ovos, portanto, elas sempre estavam lá na clínica de estética.

E todos viveram felizes para sempre.

Recordar

Mônica cresceu.
Isso aí. Nossa personagem mais animada das histórias em quadrinhos e, diga-se de passagem, com um temperamento muito parecido com o de minha amiga, ficou mocinha.
Isso me lembra de uma história que minha amiga contou que um menino chegou pra ela e disse: “está fedendo a leite ainda”. Ela só tinha 12 aninhos. Hoje, as pessoas não acham mais isso dela não. ai ai ai.
Este mundo dá voltas, hein amiga???

monica1

ENQUANTO ALGUMAS PESSOAS CRESCEM E FICAM COMO A MÔNICA, OUTRAS FICAM UM POUCO DIFERENTE…

Por estes e outros motivos, é bom prestarmos muita atenção antes de escolher o nosso parceiro pro futuro. Muitas achavam Super-homem o máximo, mas o tempo prova que a realidade é dura e está aí na cara. Não acreditam? Confiram a prova abaixo.

super_homem

homem_aranha

thor

hulk

Tagarelando

fofoca

  • ta.ga.re.lar

    1. Falar demais e de coisas frívolas ou que cumpria deixar em silêncio; palrar, parolar: Tagarelar com alguém. A vizinha tagarelava constantemente. 2. Divulgar coisas que foram confiadas como confidenciais; ser indiscreto.
  • Blogs que eu curto